segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sob Alckmin, Polícia Militar de São Paulo mata 48,6% mais que sob Covas

Entre 2001 e 2005, na primeira gestão do atual governador, foram 2505 mortes "em confronto" com a polícia; de 96 a 2000, sob Covas, PM matou 1686


Levantamento de dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostra que a Polícia Militar sob o comando do atual governador Geraldo Alckmin (PSDB) matou 48,6% mais do que no período em que seu antecessor e correligionário Mário Covas (PSDB) governou o Estado. De 2001, quando Alckmin assumiu oficialmente o governo em substituição a Covas - que se tratava de um câncer -, até 2005 (inclusive), foram 2505 mortos por policiais militares registrados oficialmente como "em confronto". Na gestão anterior, quando Covas governou o Estado, entre 1996 e 2000 (inclusive) - portanto em igual período de cinco anos -, 1686 pessoas foram mortas nas mesmas condições.

O pico das mortes de 1996 a 2001 aconteceu no ano de 2003, sob a gestão Alckmin, quando foram 756 mortes "em confronto" com a polícia registradas no Estado. Como mostra o gráfico abaixo, a curva de mortes registradas nos chamados "autos de resistência" começa a subir em 2000, o último ano de Covas no comando de São Paulo, quando ele já estava debilitado, mas ainda não afastado das funções. Mesmo assim, nos anos que se seguiram, os índices de letalidade da PM nunca foram menores do que em 1996, quando as estatísticas se tornaram públicas. Naquele ano, 239 pessoas foram mortas pela PM.



Nos três primeiros anos da estatística, com Covas no governo, o número de feridos em confrontos com a polícia superava o número de mortos. Essa estatística só se repetiu em 2005, sob Alckmin. Nos demais anos, a polícia sempre matou mais em confronto do que feriu.

Pelo gráfico, também é possível observar que há um aumento acentuado de mortos pela polícia no ano seguinte que o número de PMs mortos em serviço aumenta. Foi o que aconteceu em 1996, quando 44 policiais foram mortos durante o expediente (a maior quantidade em toda a série histórica). No ano seguinte, os mortos pela PM saltaram de 371 para 524. Em 2001, foram mortos 40 PMs no ano. Em 2002, foram mortas 541 pessoas pela polícia - ante 385 do ano anterior. Neste ano de 2012, a Secretaria de Segurança Pública registrou 8 mortes de policiais durante o expediente. Os dados do terceiro trimestre ainda não estão disponíveis. Desde o começo do ano, 84 policiais militares foram mortos no Estado - o número inclui profissionais em trabalho e de folga.

Procurada, a Assessoria de Comunicação da Polícia Militar de São Paulo não respondeu a dois questionamentos do blog, feitos pela primeira vez em 9 de agosto - e reiterados outras três vezes até 9 de outubro. Os gráficos foram encaminhados com duas perguntas - que ainda permanecem sem resposta:

1) Qual a explicação para um índice tão grande de letalidade na gestão Geraldo Alckmin, especialmente em 2003, considerando que os chamados "ataques do PCC" se deram em 2006?

2) Os dados do gráfico mostram que, durante a gestão Mário Covas, era muito maior o número de oficiais feridos em serviço e, no entanto, o número de mortos em confronto com a polícia era baixo. Pode-se depreender que a PM passava por mais confrontos diretos mas, mesmo assim, matava menos nesses confrontos?