domingo, 1 de abril de 2012

No dia seguinte ao golpe, editorial da Folha elogia ação dos militares: "uma tomada de posição em favor da lei"

Capa da Folha de S.Paulo de 2 de
abril de 1964 (Foto: Reprodução)
Uma análise do passado faz muito bem para entender certas coisas do presente - e evitar repetições da mesma estupidez no futuro. Uma verificação sobre como os principais jornais do país noticiaram o golpe militar de 1964 nos permite saber muito sobre o período - e muito sobre os jornais.

Talvez seja justamente por esclarecer várias dúvidas do passado que alguns setores queiram com tanta garra enterrar a Comissão da Verdade.

Em 2 de abril de 1964, os brasileiros acordavam buscando informações sobre os desdobramentos da ação militar da véspera. Na capa da Folha de S.Paulo, em letras garrafais: "Congresso declara presidência vaga".

Em editorial, o jornal defende a ação dos militares que culminaram com a deposição de João Goulart, "para que a familia brasileira reencontre no menor prazo possivel a paz à qual tanto aspirava e o povo, livre da pregação e da ação dos comunistas que se haviam infiltrado no governo, volte a ter o direito, que lhe haviam tirado, de trabalhar em ordem e dentro da lei".

"Não houve rebelião contra a lei, mas uma tomada de posição em favor da lei", interpretam os editorialistas da Folha no dia seguinte ao golpe. "Assim se deve enxergar o movimento que empolgou o país. Representa, fora de duvida, um momento dramatico de nossa vida, que felizmente termina sem derramamento de sangue", continua.

No dia seguinte, 3 de abril, a Folha também publica um apanhado de como outros jornais noticiaram o golpe. Intitulado "Política na opinião alheia", o quadro traz as seguintes interpretações de outros seis jornais - todas elogiosas à ação dos militares.

Folha de S.Paulo de 3 de abril de 1964 traz a
reação de outros jornais ao golpe militar
(Foto: Reprodução)
Do Correio da Manhã: "A nação saiu vitoriosa com o afastamento do sr. João Goulart da presidência da República. Não era possível mais suportá-lo em consequencia de sua nefasta administração que estabelecia, em todos os setores, o tumulto e a desordem".

De O Estado de S.Paulo: "Ao levantarem-se em defesa de valores imperecíveis, os generais Mourão Filho, em Minas, e Kruel em São Paulo, sabiam perfeitamente que mais não faziam senão obedecer a um imperativo da consciência democrática da nação. E é o que empresta uma beleza sem jaça a coragem com que essas duas figuras das Forças Armadas souberam agir".

Do Jornal do Brasil: "Com ou sem renúncia escrita e expressa, o sr. João Goulart não é mais presidente da República. Bons fados o levem ao destino que lhe está reservado fora ou dentro da pátria, que ele não soube servir com grandeza".

Do Diário de São Paulo: "Poucas vezes no Brasil outro homem teria um destino maior do que o sr. Magalhães Pinto. Ele e o gen. Mourão foram os primeiros a desencadear a revolução mais necessaria e mais oportuna no Brasil, em qualquer momento. Entrou o sr. Magalhães Pinto para a história de corpo inteiro".

Do Diário de Notícias: "Podemos ter agora o que perdemos há três anos: um governo. (...) Dos escombros do governo do sr. João Goulart o Brasil ressurge e retoma o seu verdadeiro caminho, fiel à inspiração da sua própria bandeira... Ordem e Progresso".

Do Jornal do Comercio: "Repelimos o paredón, mas apoiamos a cassação dos direitos políticos, por longuíssimo prazo, dos principais artífices da devastação do Brasil. O sr. João Goulart é um dos homens mais ricos do mundo e poderá viver em paz nas pátrias que sua ideologia indica. Que viva muito feliz com os Peróns. Mas que nos deixe em paz".
A íntegra do editorial da Folha de 2 de abril de 1964, interpretando o golpe militar e intitulado "Em defesa da lei" pode ser lida no site do jornal.

1 comentários:


  1. My brother suggested I may like this website. He was once totally right. This put up actually made my day. You cann't imagine just how a lot time I had spent for this info! Thanks! craigslist ri

    ResponderExcluir