quinta-feira, 12 de abril de 2012

FBI investiga ameaça de bomba de grupo anticapitalista nos Estados Unidos, dizem ativistas

Segundo organizadores de greve geral, FBI quer informações de emails de participantes.
"Mesmo que pudéssemos colaborar, não iríamos", respondeu grupo de militantes.

Raphael Prado
De Nova York, EUA

Dois agentes do FBI, a polícia federal norte-americana, estiveram na organização do movimento "May First" na última quarta-feira (11) para investigar ameaças de bomba que teriam partido de um servidor na Itália no qual o grupo hospeda sites. As informações sobre a investigação foram postadas próprio movimento na internet. Eles ainda deixaram claro que não colaborariam com o FBI.

Segundo o "May First", "o FBI identificou os endereços de IP de um servidor da ECN, um provedor de internet progressista na Itália. Entre outras atividades, o ECN possui um servidor de emails anônimos, que pode ser usado para enviar emails que não ficam registrados", diz o comunicado. O grupo afirma que "não tem acesso ao servidor que envia emails anonimamente".

Desde fevereiro, autoridades americanas investigam mais de 50 ameaças de bombas recebidas na Universidade de Pittsburgh, no estado da Pennsylvania. Todas elas se comprovaram falsas, mas foram suficientes para causar alarme entre os cerca de 29 mil estudantes do campus. Um porta-voz da universidade disse que as investigações estão sendo conduzidas por uma força-tarefa composta pelo FBI, o Departamento de Justiça e a polícia do campus.

O "May First" é um movimento que surgiu para espalhar a ideia anticapitalista de grupos como o "Occupy Wall Street". Eles planejam uma greve geral no dia 1º de Maio - que não é feriado nos Estados Unidos, onde o Dia do Trabalho é comemorado na primeira segunda-feira de setembro. Os manifestantes esperam que neste dia ninguém vá ao trabalho, às compras ou às escolas.

No comunicado divulgado pelo grupo em que relatam a visita dos agentes do FBI, o "May First" diz que "mesmo que nós pudéssemos cooperar [com as investigações], não iríamos". Embora deixe claro que é contra manifestações violentas que utilizam a internet como fonte - e que as considera "inaceitáveis e indignas de apoio" -, o movimento acredita que "a internet foi criada para a comunicação livre e irrestrita e qualquer ameaça à privacidade, atividade ou liberdade de expressão é uma completa contradição a isso".

"Nós não iremos cooperar com nenhuma investigação sobre a identidade, atividades ou perspectivas de nenhum de nossos membros ou usuários de nossos sistemas", afirma o "May First".

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