sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Para frear latrocínio, delegado-geral de SP defende redução de maioridade

Segundo Marcos Carneiro, cada vez mais menores assassinam para roubar.
'Hoje, eles têm certeza da impunidade', afirma delegado-geral paulista.


Raphael Prado 
Do G1 SP

O delegado Marcos Carneiro, novo Delegado Geral de Polícia de SP (Foto: Wilson Elias/ DGP/Divulgação)
O delegado-geral de polícia de São Paulo, Marcos
Carneiro (Foto: Wilson Elias/ DGP/Divulgação)
O delegado-geral de Polícia Civil de São Paulo, Marcos Carneiro, defendeu nesta sexta-feira (25), em entrevista ao G1, que a maioridade penal seja revista no país para conter a alta de latrocínios - assassinatos durante o roubo - registrada no estado em 2011. "O menor de idade acha hoje que ele é impune. Que tudo que ele fizer enquanto jovem vai ficar sem punição. E isso tem acarretado situações trágicas", afirma.

"Não pode ter uma cobrança só para a ação policial, porque a ação policial fica inócua se não houver todo um aparato legal em consonância", disse o delegado-geral, que defende a redução da maioridade penal para 12 anos. "Eu acho, até por uma questão biológica, de entrar na puberdade, que os maiores de 12 anos de idade ficassem sujeitos à avaliação de uma perícia, no nível judicial, para avaliar a questão da punibilidade deles", afirmou.

Carneiro acredita que os maiores de 12 anos, uma vez considerados culpados pela Justiça, deveriam ir para um estabelecimento penal diferenciado. "Cumpriu 18 anos, vai para o estabelecimento comum até terminar a pena deles", diz. "Com isso, a gente ia deixar de ver as crianças sendo arrebanhadas para trabalhar no tráfico, para transportar arma, porque é o que está acontecendo".

Questionado se a participação de menores em crimes como o latrocínio não é pontual, o delegado-geral paulista diz que não. "Tem acontecido cada vez com mais frequência, porque o menor de idade, sabendo que tem uma grande chance de ficar impune, pratica o crime violento, até para se postar no meio em que ele vive, para passar a imagem de um cara corajoso, um cara valente. Quando, na verdade, ele é um covarde que tira a vida de um inocente", argumentou.

JustiçaMarcos Carneiro também acredita que o rigor da Justiça é "preponderante" para trazer "sensação de segurança" à sociedade. "Infelizmente, por uma visão, digamos, equivocada, no nosso entendimento de polícia, o criminoso, aquela pessoa que cometeu um crime, mesmo condenada, sai pela porta da frente com o ‘direito’ de recorrer em liberdade", diz.

"Se isso não for mudado, não vai adiantar nenhuma política de combate ao crime. Porque a mensagem que se passa para a sociedade é muito negativa", afirma.

(publicado originalmente no G1 São Paulo)

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